sábado, 14 de maio de 2011

Para que serve a documentação ortodôntica?

Olá amigos.


Neste post vamos falar um pouco daqueles exames que seu dentista pede para você fazer antes de iniciar seu tratamento ortodôntico: a documentação ortodôntica.
Como conceito, podemos defini-la como um conjunto de exames que normalmente compreendem:

Fotografia de sorriso,
Fotografia frontal,
Fotografia do perfil,
Fotografias intra-bucais (frontal, laterais e oclusais),
Radiografia Panorâmica,
Radiografia lateral de cabeça,
Traçados cefalométricos (medidas que correlacionam pontos do crânio com a posição dos dentes),
Reproduções em gesso das arcadas (modelos).


Estes exames têm a finalidade de dar ao ortodontista informações suficientes para que ele possa planejar o tratamento fase a fase, com dados (inclusive geométricos e matemáticos) que embasam todas as decisões, inclusive sobre extrair dentes ou não, uso de mini-parafusos ortodônticos, recursos auxiliares, etc.
Os exames fotográficos são importantes, pois todo tratamento ortodôntico tem implicações faciais que precisam ser previstas. Na fotografia de sorriso, avaliamos a posição dos dentes em relação aos lábios, corredor bucal (espaços escuros compreendidos entre os dentes e a bochecha quando o paciente sorri), linha média dos dentes e tudo mais que se refere à estética do sorriso. A fotografia frontal nos mostra assimetrias faciais, contato dos lábios (em respiradores bucais, isto não ocorre de maneira natural), simetria entre os lados da face e possíveis alterações em marcas de expressão. Na foto de perfil, podemos observar o posicionamento dos lábios, relação entre mandíbula e maxila e suas implicações faciais, postura de cabeça e pescoço, implicações labiais do mau posicionamento dos dentes da frente, e possíveis alterações decorrentes do tratamento, enquanto que nas fotografias intra-bucais temos o registro do caso no início do tratamento, o que serve tanto para o planejamento em si, quanto para referência e comparação durante o tratamento.



A radiografia panorâmica tem a função de auxiliar no planejamento clínico (presença de cáries, canais a serem tratados, tratamento de gengiva ou periodontal, presença ou não dos dentes do siso, e outras coisas mais raras como cistos e tumores). Na radiografia lateral de cabeça (Telerradiografia lateral), podemos avaliar as vias aéreas superiores (o caminho percorrido pelo ar durante a respiração), discrepância entre as bases ósseas (saber se a relação entre maxila e mandíbula está correta), distâncias entre os dentes superiores e inferiores, além de ter uma visão detalhada do relacionamento entre os tecidos moles da face (músculos labiais e do queixo, posição do nariz, relação entre os lábios e os dentes anteriores).









Esta radiografia também é utilizada para os traçados cefalométricos, que são grandezas numéricas lineares (medidas em milímetros) e angulares (medidas em graus) traçadas entre dentes e estruturas fixas do crânio. Estes números nos auxiliam no planejamento, fornecendo dados como a inclinação exata dos dentes, relação entre bases ósseas, tendência de crescimento facial, altura facial, tipo de perfil ósseo e mais uma série de medidas que determinam quais dentes têm que ser movimentados, quanto de movimentação é necessária e para onde eles devem ser reposicionados.

Os modelos de gesso são reproduções fiéis das arcadas dentárias com um detalhe muito importante: eles fornecem também a posição exata em que o paciente oclui seus dentes. Estes modelos servem para a mensuração de quanto espaço é necessário para que todos os dentes se disponham de maneira harmônica, servindo como critério para decisão em casos com possíveis extrações e também como parâmetro de comparação durante o tratamento.


Como vocês podem ver, estes exames têm finalidades distintas e são fundamentais para o planejamento e tomadas de decisões referentes ao tratamento, inclusive para a previsão de limitações que possam atrapalhar a movimentação e atrasar ou impedir o bom resultado do tratamento.


Normalmente, a pasta com os exames fica arquivada com o ortodontista durante e após o tratamento para comparação e controle dos resultados obtidos, e ao término do tratamento ativo (remoção do aparelho fixo), pede-se uma nova documentação ortodôntica para avaliação dos resultados obtidos e estabelecimento de um parâmetro para o controle pós-tratamento.


Portanto, assim como na medicina, os ortodontistas se valem de exames para obter certezas sobre o que será proposto aos pacientes e buscar as metas estabelecidas no planejamento. Sem exames, não há certeza e o tratamento flui como um barco à deriva... ele navega, mas sem um rumo certo.


Espero que este texto ajude não só a entender um pouco mais sobre o universo da ortodontia, mas também elimine alguns mitos acerca da requisição de exames por parte dos dentistas, o que é cada vez mais freqüente em uma especialidade que se baseia em evidências científicas.

Como sempre, estou à disposição para quaisquer dúvidas.


Aquele abraço.


Dr Marcelo Torres
marcelo@comarcelotorres.com.br
http://www.comarcelotorres.com.br/

Obs: Se copiar, por favor, divulgue a fonte.

2 comentários:

  1. É normal colocar a parte superior do aparelho fixo sem estes exames, meu ortodontista colocou meu aparelho superior ontem e disse que só vai colocar o inferior quando eu entregar essa bateria de exames então é normal ou não ? grata desde já .

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  2. Olá... Sua pergunta é interessante, mas a resposta depende de uma série de coisas, mas vamos lá...
    Primeiramente, sobre montar o aparelho sem a documentação: Seu ortodontista já conhece o seu caso, muito provavelmente fará poucas alterações na arcada superior e quer ter certezas em relação à arcada inferior. O momento do pedido dos exames pode até variar de acordo com o "modus operandi" de cada profissional, mas a necessidade de informações é comum à todos, portanto, pode considerar o pedido de exames não só como normal, mas também como necessário para o bom resultado do seu tratamento. Acho que é isso, mas qualquer dúvida, estamos à disposição

    Marcelo

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